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Cartas de um diabo a seu aprendiz PDF Print E-mail

Diabo-mor: Meu querido aprendiz, inventei um truque eficaz para os cristãos desonrarem seu Deus. Vamos criar uma lei que gere uma celeuma em torno do que vamos chamar de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os cristãos não vão perceber que não existe na Bíblia uma união matrimonial além daquela na qual Deus une um homem e uma mulher. Como os próprios cristãos inventaram "casamentos religiosos" feitos por igrejas, pastores, sacerdotes etc. vão achar que estamos falando desse tipo de coisa. Se na Palavra de Deus diz que Deus só une um homem com uma mulher, então Deus não vai unir algo que não cumpra tais requisitos, não é mesmo?

Diabo-aprendiz: Realmente, mestre, mas ainda não entendi o que pretende fazer.

Diabo-mor: Os cristãos ficarão tão cegos e ocupados com essa tal lei que permite aquilo que não é o matrimônio que Deus criou, que começarão a tentar interferir nas coisas de César como se eles próprios fossem do mundo. Vão se esquecer do que Jesus disse, "não sois do mundo" (Jo 15:19), e de que o próprio Jesus jamais interferiu nas questões de César e de sua política, nem mesmo para salvar a própria vida! Eles perderão de vista qual é a verdadeira cidadania deles, que o apóstolo Paulo mencionou com estas palavras: 

"A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3:20 - NVI).

Diabo-aprendiz: Brilhante, mestre! E depois?

Diabo-mor: Depois eles vão perceber que uma andorinha sozinha não faz verão, e precisarão se unir, fechando os olhos para suas diferenças, algumas banais, mas outras muito sérias. Sabe aquele ecumenismo que eu tenho tentado fazer para criar uma grande colcha de retalhos? Pois é, eles nunca perceberam que Deus não quer unir os cristãos divididos, mas quer apenas que abandonem suas divisões e voltem ao que era no princípio. Como não veem isso, cristãos das mais diferentes confissões se unirão, fechando os olhos para o fato de alguns não crerem na divindade de Jesus, outros adorarem ídolos, e mais outros usarem o nome de Deus só para arrancar dinheiro do povo. Tudo isso que Deus odeia - heresias, idolatrias e avareza - deixará de ser importante para eles, pois só pensarão no tal casamento que nem mesmo é casamento na Bíblia, porque não foi previsto no plano original de Deus. E o que Deus não une, não está unido para Deus. Simples assim.

Diabo-aprendiz: Mestre, excelente ideia! Eles vão ficar olhando para o lado errado e nem perceberão que Deus abomina todos esses idólatras, hereges e mercadores da fé, que marcharão lado a lado com cristãos genuínos!

Diabo-mor: Você se lembra do que nós tentamos fazer quando os judeus voltaram do exílio para reconstruir os muros de Jerusalém e seu templo? Quero dizer, já tentamos unir os verdadeiros com os falsos?

Diabo-aprendiz: Xi, mestre, minha memória está ruim. O que foi mesmo?

Diabo-mor: Vou refrescar sua memória lendo do próprio livro que os cristãos usam, a Bíblia. Pelo jeito nem você e nem eles têm o costume de ler este livro... Deixe-me ver... Aqui está:

Ed 4:1-3 "Ouvindo, pois, OS ADVERSÁRIOS de Judá e Benjamim que os que voltaram do cativeiro edificavam o templo ao Senhor Deus de Israel, chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais, e disseram-lhes: Deixai-nos edificar CONVOSCO, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir aqui. Porém Zorobabel, e Jesuá, e os outros chefes dos pais de Israel lhes disseram: Não convém que NÓS E VÓS edifiquemos casa a nosso Deus; mas NÓS SOZINHOS a edificaremos ao SENHOR Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia".

Diabo-aprendiz: É mesmo, mestre, os inimigos se ofereceram para ajudar, porque assim poderiam desviá-los da verdade e fazê-los cair em idolatria, mas eles não aceitaram a ajuda deles. Era mais importante permanecerem fiéis ao seu Deus do que se colocarem em jugo desigual com idólatras. Eu odiei essa atitude deles! Agora estou adorando esse seu plano para os cristãos! Eles vão cair que nem patinhos.

Diabo-mor: Depois que o muro estava pronto, eu ainda tentei outra vez acabar com eles. Como não dava para entrar na cidade, convidei os judeus para saírem para conversarem com meus emissários em campo aberto, no meu território. Veja aqui o que aconteceu:

Ne 6:1-4 "Sucedeu que, ouvindo Sambalate, Tobias, Gesem, o árabe, e o resto dos nossos inimigos, que eu tinha edificado o muro, e que nele já não havia brecha alguma, ainda que até este tempo não tinha posto as portas nos portais, Sambalate e Gesem mandaram dizer-me: Vem, e CONGREGUEMO-NOS JUNTAMENTE nas aldeias, no vale de Ono. Porém intentavam fazer-me mal. E enviei-lhes mensageiros a dizer: Faço uma grande obra, de modo que NÃO PODEREI DESCER; por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse, e fosse ter convosco? E do mesmo modo enviaram a mim quatro vezes; e da mesma forma lhes respondi".

Diabo-aprendiz: É, aquela também não pegou, né mestre?

Diabo-mor: Minha última tentativa foi usar mulheres de outros povos para seduzirem os judeus e alguns acabaram se casando com elas e com isso eu quase consegui destruí-los, mas Neemias descobriu meu plano no último capítulo do livro que ele escreveu e eu fiquei no prejuízo.

Diabo-aprendiz: Mas agora já vi que vamos ter sucesso, não acha mestre?

Diabo-mor: Tenho certeza disso. Deus será extremamente desonrado com essas associações que os cristãos estão fazendo, reunindo o que existe de pior em termos de idolatria, heresias e avareza para lutarem em prol de uma causa comum. Vamos continuar dando corda que isso vai abrir caminho para abandonarem de vez a verdade. Sempre que pessoas de diferentes crenças se unem elas precisam passar a régua pelo menor denominador comum. Aí a apostasia vai correr solta, quando estiverem dando menor valor e importância às coisas que Deus considera as mais importantes.

"Cartas de um diabo a seu aprendiz"   C. S. Lewis

 

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