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O Discernimento Chega Quando o Questionamento Cessa PDF Print E-mail

Ora, aconteceu que eles se esqueceram de levar pães e, no barco, não tinham consigo senão um só.Preveniu-os Jesus, dizendo:Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes. E eles discorriam entre si: E que não temos pão. Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido? Marcos 8.14-17.

Nesse texto, observamos novamente a capacidade de discer­nimento de Jesus e como Ele foi capaz de perceber o questiona­mento no coração de seus discípulos, que eram tão tolos quanto nós o somos de vez em quando. Não quero ofender ninguém, mas essa é a verdade.

Com todo aquele questionamento eles não conseguiram (como normalmente nós também não conseguimos) entender o que o Senhor estava dizendo. Ele não estava falando literalmente de pão; estava falando do fermento espiritual, dos ensinamentos e práti­cas dos fariseus. Estava alertando seus discípulos a se precaverem contra esse tipo de tendência legalista, pois sabia que isso envene­naria a vida deles. O que Ele estava querendo lhes dizer era: "Cui­dado com a atitude hipócrita dos fariseus. Eles não praticam o que falam. Falam coisas boas, mas não fazem o que falam".

Tentando abrir o entendimento de seus discípulos, Jesus precisou lembrar-lhes da multiplicação dos pães, quando, miraculosamente, Ele alimentou cinco mil numa ocasião e quatro mil em outra:

   Tendo olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais e quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos [pequenos] cheios de pedaços recolhestes? Responderam eles: Doze! E de quando parti os sete pães

para os quatro mil, quantos cestos [grandes] cheios de pedaços recolhestes? Responderam: Sete! Marcos 8.18-21.

Nesse texto, Jesus está lhes dizendo: "Não se preocupem por terem se esquecido de trazer o pão. Posso fazer um milagre para providenciar pão. Não estou falando de estômago vazio; es­tou falando da condição do coração".

Note o que Ele lhes disse no versículo 17: "Ainda não consideraste, nem compreendeste?"

Isso era o que eu costumava fazer. O questionamento era um problema sério para mim. Eu estava sempre tentando achar a lógica das coisas. Então, certo dia, o Senhor disse algo interessan­te ao meu coração: "Enquanto você estiver questionando, não terá discernimento".

O discernimento começa no coração e ilumina a mente. Enquanto eu mantivesse a mente ocupada com questionamentos, eu não conseguia sintonizá-la em Deus, assim como os discípulos não conseguiam sintonizar-se com Jesus. Esse é um ponto importante. O questionamento é um problema sério porque é contrário à fé. Na NVI, Romanos 8.6 é traduzido assim: "A mentalidade da carne e morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz".

O questionamento pertence à mentalidade da carne, portanto não produz bom fruto. O "questionamento" ao qual me refiro é o tipo de questionamento que é contrário à verdade da Palavra de Deus. Como já dissemos, Deus quer que usemos o bom senso! Ele quer que usemos nossa mente para raciocinar, desde que o façamos de acordo com Sua Palavra.

Uma coisa que me fez continuar buscando ser liberta do ques­tionamento foi o fato de sentir-me confusa muitas vezes. Logo aprendi que não estava sozinha nessa área. Em uma de minhas reu­niões, perguntei: "Quantos de vocês estão passando por momen­tos de confusão na vida?" Das 300 pessoas no auditório, 298 levan­taram a mão. Somente meu marido e outra pessoa não o fizeram.

Paulo nos diz que Deus não é um Deus de confusão.4 Como filhos de Deus, não devemos andar para lá e para cá confusos o tempo todo, pois podemos discernir as coisas. Por isso é que o Senhor falou ao meu coração: "Diga a meu povo que pare de tentar compreender tudo, e não ficarão confusos".

Gosto muito da atitude de Maria quando o anjo do Senhor apareceu a ela e lhe disse que ficaria grávida do Espírito Santo. Ao invés de começar a questionar, tentando entender o que havia ouvido, ela simplesmente disse: "Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra".5

A Bíblia nos diz que Maria ponderou sobre isso em seu co­ração.6 Está correto ponderar. Essa é uma das condições corretas do coração, conforme veremos adiante. Mas quando começamos a nos sentir confusos, sabemos que ultrapassamos a linha entre ponderar e questionar. Obviamente, não podemos passar a vida deixando de fazer planos ou de raciocinar.

Ter um número razoável de planos pode simplificar nossa vida, mas ter planos demais pode complicá-la. O equilíbrio é o 1 segredo para alcançarmos a vitória no âmbito da nossa mente.

Uma de minhas filhas era uma planejadora por excelência. Ela precisava de um plano para lidar com cada detalhe daquilo que iria fazer.

Mas isso a fez perder o equilíbrio. Ela planejava as coisas tão detalhadamente que quase ficava maluca. Deus teve de ensinar-lhe a apaziguar o coração. Ele mostrou-lhe que não estava errado planejar as coisas, contan­to que ela não permitisse se deixar escravizar pelo planejamento. Hoje ela já fez grandes progressos na superação de sua tendência de tentar questionar e compreender tudo na vida.

Não podemos ter paz de espírito se questionamos tudo o tempo todo. Se não temos paz na vida, talvez seja porque esteja­mos tentando compreender coisas demais. Precisamos parar de perguntar "Por que, Senhor, por quê?", e dizer somente: "Senhor, Tu sabes que preciso estar em paz em relação a isso. Quando e se quiseres me mostrar, estarei pronta a ouvir-Te. Até lá, com a Tua ajuda, vou rir e me alegrar, confiando que Tu estás no controle e cuidarás de tudo que se relaciona a mim".7

17. Um Coração Invejoso e Contencioso. Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem? 1 Coríntios 3.3.

A inveja e o ciúme fazem com que lutemos por coisas que Deus, de qualquer forma, irá nos conceder a Seu tempo, se for da vontade dEle que as tenhamos. Um coração invejoso e ciumento não agrada a Deus de forma alguma. Não devemos cobiçar o que outros possuem — nem mesmo o ministério.

Como líderes, não devemos cobiçar a posição ministerial de ninguém. Não devemos cobiçar a igreja, os obreiros, o tamanho do rebanho ou qualquer outro aspecto de seu ministério. Isso não agrada a Deus.

Devemos nos sentir felizes e satisfeitos com o que Deus nos deu. Precisamos confiar nEle, e, se Ele desejar que recebamos mais, nos dará quando vir que somos capazes de cuidar das novas coisas que Ele nos der.

Talvez você esteja pensando: Creio que o diabo está me impedindo de ser abençoado.

Vejo isso desta maneira: se estou fazendo o que Deus quer que eu faça e meu coração é reto diante dEle, nenhum ser huma­no na terra ou demônio no inferno irá me impedir de ter o que Deus quer que eu tenha.

Creio que muitas vezes culpamos o diabo por tudo como desculpa para não crescermos. É uma desculpa para não de­senvolvermos o caráter pessoal e não deixarmos Deus operar em nós a obra que Ele quer fazer.

Não estou dizendo que o diabo não tenta impedir que exer­çamos nosso ministério. Ele tentou impedir Jesus de exercer seu ministério também, mas não conseguiu. Ele pode até fazer oposi­ção a nós, mas não poderá nos impedir.

Haverá épocas em que devemos perseverar apesar da oposi­ção do inimigo, mas, se estivermos fazendo a vontade de Deus, Ele irá nos dar forças para continuarmos até alcançarmos o que Ele deseja. Não é o diabo que nos impede de cumprir o nosso chamado; é a nossa carne incircuncisa, da qual não tratamos e que ainda não crucificamos. Iremos falar do coração incircunciso mais à frente neste capítulo.

Sim, o diabo está vivo e ativo, e se opõe às pessoas. Mas se lhes ensinarmos esse fato de forma desequilibrada, exacerbada, elas irão culpar Satanás por tudo. E ele gosta muito disso porque a atenção das pessoas se volta para ele e para os problemas que ele causa, desviando-se de Deus e de suas promessas. Em vez de darmos atenção às obras do inimigo, precisamos manter os olhos voltados para Deus e permitir que Ele haja como desejar em nossa vida.

Já tive problemas com ciúme e inveja, principalmente no ministério.

Enquanto não superei essa situação meu ministério não cresceu.

Como já vimos, não é só porque temos potencial que ele se desenvolvera automaticamente. Para que isso aconteça, devemos cooperar com Deus nesse sentido.

O que finalmente me libertou do ciúme e da inveja foi perceber que Deus tem um plano personalizado, sob medida e individualizado para mim. Não tenho de me comparar a ninguém. Não tenho de competir com nenhum outro ministério. Só o que tenho de fazer é dizer: "Senhor, desejo Tua vontade para minha vida. Meus dias estão em Tuas mãos. O que quer que desejes que eu faça, isso é o que irei querer fazer. O que os outros fazem não é da minha conta. O que devo fazer é somente o que Tu queres que eu faça".

Não há nada mais frustrante do que lutar por coisas que Deus não nos deu, tentando fazer com que aconteçam sem a unção de Deus, ou tentando fazer algo com relação a situações que sempre estarão totalmente fora do nosso alcance.

O segredo da felicidade e da realização não é mudar nossa situação ou circunstância, mas confiar em Deus para que Ele rea­lize seu bom plano em nossa vida até podermos ver os resultados.

18. Um coração ganancioso e concupiscente Então, [os israelitas] creram nas suas palavras [confiando, acreditando nelas] e lhe cantaram louvor. Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram [com sinceridade] os desígnios; entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus [com desejos insistentes]

na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma [e reduziu o número deles].Salmos 106.12-15.

Temos de ter cuidado com um coração concupiscente e ga­nancioso, que nunca se sente satisfeito.

Embora Deus tenha tirado os israelitas do cativeiro no Egito e destruído Faraó e seu exército que os perseguia, os israelitas não estavam satisfeitos. Continuaram a reclamar e murmurar durante todo o caminho. Não importava o quanto Deus lhes desse, eles sempre queriam mais. Estavam a caminho da Terra Prometida, mas não estavam aproveitando a viagem.

Muitas vezes esse é nosso problema também.

Quando eu dava aula para vinte e cinco pessoas todas as semanas, na terça-feira à noite, em minha sala de estar, aquilo era o suficiente para mim conforme a minha maturidade na época. Eu, porém, já tinha a visão de fazer o que faço agora; então eu orava, murmurava, implorava, jejuava, repreendia os demônios — mas nunca ia além dos limites de minha sala. Todos os meus es­forços para progredir eram desperdício de tempo e energia. O que eu deveria ter feito era ficar tranqüila, louvando a Deus, rindo e desfrutando de minha família, meu marido, meus filhos e minha vida. Mas não; eu preferia me sentir péssima o tempo todo por­que as coisas não estavam do jeito que eu queria.

Finalmente, tive a oportunidade de dar outros estudos bíbli­cos. Fiquei feliz, mas não por muito tempo.

Depois fui trabalhar numa igreja em Saint Louis, como co-pastora, durante cinco anos. Mas depois de algum tempo, eu não estava mais satisfeita com aquele trabalho.

Então organizei meu próprio ministério. E pouco tempo depois eu já estava infeliz com ele.

Não importava o que eu estivesse fazendo, sempre queria algo mais.

Se as pessoas não tomarem cuidado, poderão desperdiçar a vida toda querendo sempre algo mais. Irão se apaixonar e ficarão ansiosas para se casar. Quando se casarem, não conseguirão ser felizes; então se separarão em busca da felicidade.

Quando têm filhos, não vêem a hora de todos crescerem e irem para a escola. Assim que os filhos vão para a escola, ficam ansiosos para se formar. Assim que isso acontece, não vêem a hora de se casar e ter seus próprios filhos.

E assim vai. Não importa em que ponto se encontrem na vida, sempre irão querer mais. Continuam murmurando e recla­mando com Deus a respeito do que querem. Então, assim que ele dá o que pedem, começam a reclamar novamente porque querem algo mais.

A moral da história dos israelitas é que receberam o que pe­diram, mas não estavam preparados para aquilo. O Senhor lhes deu o que queriam, mas Ele também lhes deu fraqueza de alma. O que "fraqueza de alma" significa? Simplesmente que não esta­vam felizes.

Você já imaginou como eu me sentiria péssima se tivesse este ministério, mas não tivesse espiritualmente preparada para conduzi-lo? Como seria se eu tivesse de lidar com as responsabi­lidades do prédio, as contas que temos de pagar, os programas de rádio e de televisão que produzimos, os livros que escrevemos, os escritórios que temos de dirigir, os empregados que temos que administrar, e assim por diante? Mesmo querendo tudo isso, o peso de tudo iria me esmagar.

Sou grata a Deus por não ter me dado tudo isso quando Lhe pedi pela primeira vez, pois se Ele tivesse me dado, eu teria feito papel de tola, perdido o ministério e, provavelmente, morrido de estresse.

Tenha cuidado com um coração concupiscente e ganancioso. Não vá ficar pedindo algo que Deus ainda não quer lhe dar. Aprenda a descansar e ser feliz com o que tem enquanto o Senhor o prepara para algo melhor.

Deixe Deus agir em Seu tempo, para que possa construir um alicerce sólido em sua vida antes de você começar a implorar que Ele construa um prédio gigantesco sobre o seu alicerce. Sempre queremos mais, mas somente Deus sabe quando teremos estabi­lidade suficiente para lidar com aquilo que Ele nos dá.

19. Um coração incircunciso Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos,vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.Atos 7.51.

Deus me mostrou o que é um coração incircunciso. Circuncidar é cortar fora. Quando uma pessoa é incircuncisa de coração e algo mau entra nele, ela não o tira. Permite que fique lá. Mas quem tem um coração circuncidado vai eliminar imediatamente um propósito incorreto que entre na mente, para que o coração permaneça sempre circuncidado.

Lembre-se: o diabo virá até nós com propósitos incorretos em inúmeras ocasiões, mas não devemos morder sua isca. Isso somente nos impediria de crescer e nos desenvolver.

O Senhor me mostrou que, se tenho um coração circuncida­do, quando a ira, o ódio, o ciúme, a inveja ou qualquer outro tipo de emoção negativa vem à minha mente, devo afastá-la imediatamen­te. Se não o fizer, permitindo que fique, não estarei sendo o que Ele me chamou para ser, como Paulo diz em Romanos 2.28-29: Porque não é [um verdadeiro] judeu quem o é apenas exteriormente, nem é [verdadeira] circuncisão a que é somente na carne. Porém, judeu é aquele que o é interiormente, e [genuína] circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.

Um bom líder mantém um coração circuncidado dizendo "não" a tudo que o impeça de se tornar alguém cujo coração não seja correto perante Deus.

20. Um coração acusador Pois, se o nosso coração nos acusar, certamente,

Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas. Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos

dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.1 João 3.20-22.

Um coração acusador rouba a nossa confiança.

Qualquer um que queira ser líder deve aprender como lidar com a auto-acusação. Quando pecar, tem de saber se libertar do pecado e seguir em frente, pois ninguém é perfeito. Ele pode ter um coração perfeito, um coração segundo o coração do próprio Deus, mas continuará a ser imperfeito em pensamentos, pala­vras e obras.

Sei como é sentirmos o peso da acusação quando ensinamos a outras pessoas a serem corretas e nós mesmos agimos incorre­tamente. Quando fazemos isso, nos sentimos duplamente acusa­dos, porque o diabo nos dirá: "De todos, você deveria ser o pri­meiro a saber disso!".

Se lhe dermos ouvidos, ele irá nos fazer sentir que não so­mos dignos de ser líderes do povo de Deus. Temos de ser capazes de nos livrar do sentimento de acusação, pois se não o fizermos, perderemos toda a nossa confiança diante de Deus. Sem confian­ça, não teremos fé, e sem fé não podemos agradar a Deus8 nem receber dEle as coisas das quais Ele sabe que precisamos para fazer aquilo para o que fomos chamados.

Por isso é que somos instruídos a guardar nosso coração com toda diligência. Como vimos, é do coração que fluem as fon­tes da vida.

Deus nos convence de nossos pecados; Ele não nos acusa. O convencimento nos ajuda a nos arrependermos e a nos levan­tarmos para sair dos problemas, enquanto a acusação nos derru­ba e nos faz sentir-nos mal em relação a nós mesmos.

Romanos 8.33-34 afirma que Deus nos justifica; Ele não nos imputa culpa. Jesus não nos acusa. Ele morreu por nós e está assentado à direita do Pai, pedindo e intercedendo por nós. Aprendi na Bíblia que quando me sinto acusada e culpada, quem está me causando esse sentimento sou eu mesma ou é o diabo. Precisa­mos sempre nos submeter ao convencimento de Deus, mas resis­tir às acusações de Satanás.

 Do Livro . A Formaçao de Um Lider:  Joyce Meyer.

                                                                

 

 

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